Greenk Redação
18 de abril de 2017 - 14h58

Uma empresa fundada por engenheiros que estudaram design de inovação no Royal College of Art e pesquisadores do Imperial College de Londres investiga desde 2013 uma solução alternativa para garrafas, copos e vasilhames plásticos para água potável, em busca de um produto sustentável.
Interessados em acabar com a poluição causada pelas embalagens, Rodrigo Garcia Gonzales e Pierre Paslier chegaram a um primeiro protótipo um ano depois e agora estão mais perto de realizar seu objetivo, após uma campanha de financiamento coletivo encerrada no último dia 13 de abril.
A empresa Skipping Rocks Lab, fundada pelos dois, anunciou em sua página que conseguiu investidores suficientes e mais de U$ 1 milhão (cerca de R$ 3,104 milhões) para começar a produzir a bolha comestível Ooho! Para bebidas, visando atingir o mercado de bancas de rua, festivais e eventos esportivos em 2018.

 

 

Os focos especiais serão a próxima Maratona de Londres, em abril, e o Glastonbury, em junho. O Glastonbury é um dos grandes festivais de música do Reino Unido e tem apoio do Greenpeace e da Oxfam. Sempre faz campanhas para diminuir a pegada ambiental do seu público durante os dias dos shows.

 

Se o Skipping Rocks Lab conseguir colocar suas bolhas nesses dois megaeventos, será um grande teste para o produto: tamanho/volume de líquido ideal para matar a sede, como fazer com o transporte e com a manipulação de grandes quantidades e qual será o tempo de conservação, por exemplo.
O protótipo da bolha Ooho! nasceu em 2014 e foi selecionado naquele ano entre os finalistas do Lexus Design Award, uma das mais importantes janelas para projetos de design inovadores. Os criadores também receberam em 2014 o prêmio de Tecnologia Ambiental da Fortune e da Time.
Em depoimento para a Lexus, Rodrigo Garcia Gonzales diz que o projeto se ancorou na técnica culinária da esferificação, patenteada em 1946 pela indústria alimentícia e que foi revisitada pelo chef espanhol Ferràn Adria nos anos 1990 e início dos 2000 no seu restaurante elBulli.
A água é encapsulada em uma membrana gelatinosa dupla feita com extrato de algas e cloreto de cálcio num processo em que acontece a gelificação no exterior do líquido. A membrana pode ser aromatizada e colorida. É comestível e biodegradável –se dispersada no ambiente, dura de quatro a seis semanas para sumir, conforme os fabricantes. Pode receber também uma espécie de rótulo, feito de papel arroz.
Pode ser utilizada para água e outros líquidos, como refrigerantes, bebidas e cosméticos. Segundo a empresa, na sua fabricação, consome cinco vezes menos CO2 e nove vezes menos energia que a produção de uma garrafa PET, tornando-se mais barata que esta.
O Skipping Rocks Lab ambiciona ser o principal produtor global de embalagens feitas com algas marinhas. Com isso, quer “impedir que 1 bilhão de garrafas plásticas alcancem o oceano a cada ano e que 300 milhões de quilos de CO2 sejam emitidos”. “Pense fora da garrafa, invista no Skipping Rocks Lab”, brincava o vídeo da campanha de financiamento. Ooho!

 

Fonte: Folha de SP

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