Greenk Redação
2 de maio de 2017 - 11h35

AVISO: Contém spoilers menores

 

 

 

 

 

O que diferencia James Gunn da maior parte de seus colegas de ramo é a capacidade de preservar suas principais características ao mesmo tempo em que se adequa a certas determinações da indústria e demandas específicas dos materiais de origem. Colocar sua assinatura em filmes realizados por grandes estúdios não é tarefa fácil. Não por acaso, se tudo correr como previsto, o diretor se juntará em breve ao clube formado por Sam Raimi e Christopher Nolan, até hoje os únicos que completaram suas trilogias sobre super-heróis, e também por isso figuras de destaque quando se pensa na evolução do gênero.

 

 

Apresentando sinais de inovação dentro de um formato modelado ao longo das últimas décadas, “Guardiões da Galáxia” oferecia caminhos alternativos para a Marvel. O longa de 2014 abria não apenas a possibilidade de explorar novas galáxias (e, por consequência, novas histórias), mas também uma outra maneira de imaginar o universo dos quadrinhos nos cinemas, capaz de atender aos anseios dos fãs mais fervorosos e conquistar seguidores inteiramente novos. Para além do poder de marketing da companhia e de sua compreensão apurada do mercado, muito do sucesso do primeiro capítulo dizia respeito aos méritos de seu realizador. “Volume 2” reforça essa ideia.

 

 

 

 

As marcas do trabalho de Gunn são reconhecíveis à distância. Suas aventuras espaciais mantém o equilíbrio entre ação, comédia e drama típico das franquias da empresa, mas procuram formas de acentuar cada um desses aspectos quando parece conveniente. Assim, é comum o diretor recorrer ao humor para resolver sequências de combate (como no encontro com um monstro no início do “Vol.2”), usar embates físicos para alavancar desavenças mais profundas entre personagens (como Gamora e Nebulosa), ou armar situações de maior peso dramático para surpreender o público que ainda ri (como nos trechos em que o casal de protagonistas discute o relacionamento sem efetivamente discuti-lo).

 

 

Não é preciso mais do que alguns instantes diante da tela para notar as intervenções do cineasta. O visual adotado por ele encontra soluções criativas para lidar com elementos tão distintos quanto sangue, fumaça e fogo, adicionando cor e luz ao que outras produções tratam de maneira convencional, protocolar, sem inspiração. A música segue uma linha parecida, se infiltrando na narrativa para construir uma atmosfera imersiva, guiar sensações e, muitas vezes, afetar a própria trama. Aqui, as faixas da mixtape não geram êxtase como no original (ou como os Beastie Boys em “Star Trek: Sem Fronteiras”), mas se inserem de modo especial em ao menos uma cena-chave, embalada por Cat Stevens.

 

 

 

 

Antes vista como um risco às pretensões de bilheteria da série, desta vez a natureza dos personagens serve de trunfo: outrora relativamente desconhecidos do grande público, o Senhor das Estrelas e companhia agora são encarados como figuras cheias de personalidade e dignas de atenção. O primeiro filme, embora concentrado na missão central do grupo, cumpria sua função de introduzir seus integrantes e estabelecer as bases das relações entre eles. O segundo, ciente dos méritos e limitações da empreitada inicial, usa isso a seu favor. Uma vez definida a premissa, é a hora de deixar suspenso o vínculo com o universo cinematográfico da Marvel e abrir o leque de opções a partir da mitologia dos próprios Guardiões.

 

 

Essa talvez seja a principal qualidade da continuação. Gunn, que também assina o roteiro, se mostra ainda mais focado nas particularidades dos seus heróis — o que acentua a curiosidade sobre o tratamento que será dado a eles como coadjuvantes no próximo “Vingadores”, comandado por Joe e Anthony Russo. No volume um, desde a sequência de abertura, Peter Quill (Chris Pratt) lida com a ausência da mãe. Agora, ele se divide entre as interações envolvendo a nova família, em especial Gamora (Zoe Saldana), e a relação com o pai, antecipando ainda uma relação semelhante com Groot (voz de Vin Diesel). Sem dúvidas, o interesse nos personagens é mais amplo, e o longa dedica generoso tempo de tela a cada um deles.

 

 

 

 

Parte daí outra mudança significativa entre o original e o segundo capítulo. “Volume 2” não segue a trajetória de outras produções do gênero, que se contentam em repetir as mesmas fórmulas apenas ampliando o escopo da ação (ou, nesse caso, da comédia).

 

 

Tendo conquistado a confiança do público e do estúdio graças a uma abordagem única, o diretor opta por se dedicar a dinâmicas novas, dividindo a equipe em núcleos menores. Além de tornar o desfecho mais impactante, por reunir o grupo no momento mais grave da trama, essa estrutura serve também para aprofundar ideias apresentadas anteriormente e revelar traços desconhecidos dos heróis.

 

 

Escolhas certeiras com relação ao elenco ajudam, tanto pelos nomes adicionados à franquia quanto pelo espaço dado a eles em porções diferentes do filme. Mantis (Pom Klementieff), por exemplo, consegue tirar o melhor de Drax (Dave Bautista) pela via do humor e dá novas camadas a seu plano de vingança. Já Yondu (Michael Rooker) e Rocket (voz de Bradley Cooper), duas das criaturas mais interessantes da série, saltam de meros conhecidos a parceiros fiéis com uma carga de drama inesperada.

 

 

 

 

De toda forma, é de Kurt Russell o posto de melhor novidade. Não há personagem mais relevante para compreender os avanços de “Guardiões da Galáxia Vol. 2”. Tomando o filme para si logo que entra em cena, o ator faz o conjunto encontrar seu eixo após um primeiro ato instável e torna a ação (por vezes tratada literalmente como pano de fundo, como nos créditos de abertura) mais vibrante sempre que aparece, mesmo quando envolvido por computação gráfica.

 

 

Sua contribuição mais importante, porém, diz respeito a Peter. O carisma e o cuidado do veterano ao recitar cada fala fazem com que o protagonista encare uma possibilidade diferente de família e, assim, aprofunde transformações que estavam em curso desde o original. Aqui, há uma noção de consequência muito distinta de qualquer outro produto da Marvel. Para a continuação de um blockbuster que surgiu rodeado de dúvidas, mas com uma proposta de divertimento leve, é mais do que qualquer um poderia imaginar.

 

 

 

 

Fonte: B9

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